Urban Jungle de Ben Wilson nos desafia a repensar nossa relação com ambientes urbanos, apresentando cidades como ecossistemas dinâmicos capazes de fomentar biodiversidade e resiliência em harmonia com os humanos e o ambiente construído.

O livro de Ben Wilson, Urban Jungle: Wilding the City, nos desafia a repensar nossa relação com ambientes urbanos, apresentando cidades como ecossistemas dinâmicos capazes de fomentar biodiversidade e resiliência em harmonia com os humanos e nosso ambiente construído.

Este livro leva os leitores a uma jornada através da história e da prática moderna, explorando como áreas urbanas podem se transformar de selvas de concreto em paisagens regenerativas e prósperas.

Nossos principais aprendizados para ecossistemas urbanos regenerativos

  • Renaturalização do tecido urbano — Wilson enfatiza o potencial das cidades de integrar sistemas naturais. Ao converter espaços abandonados em áreas selvagens urbanas, as cidades podem se tornar hotspots de biodiversidade, contrariando a crença popular de que cidades são, por definição, desprovidas de natureza.
  • Resiliência natural — Uma transição de ‘cinza para verde’ oferece benefícios tangíveis. Uma cidade rica em natureza está mais bem equipada para prevenir choques climáticos, como resfriar ilhas de calor urbanas durante ondas de calor, melhorar a qualidade do ar em estações secas ou fornecer proteção contra enchentes. Além disso, cidades verdes têm um resultado positivo mensurável na saúde mental e física humana.
  • Microclimas urbanos para a sobrevivência de espécies — Áreas urbanas são diversas e amplas. Algumas áreas são relativamente estáveis em temperatura, umidade ou outras condições ambientais; outras têm mais variedade, às vezes dependendo da atividade humana que molda aquela área. Isso pode criar climas localizados que sustentam uma gama diversa de espécies. Árvores que fornecem sombra, recursos hídricos e corredores verdes proporcionam habitats essenciais.
  • Circularidade e gestão de recursos — Wilson defende que as cidades funcionem como sistemas de ciclo fechado. Ao implementar estratégias ousadas para reduzir o consumo de materiais e priorizar a reciclagem, o reparo e a reutilização, as cidades podem reduzir seu impacto global em outros biomas e, com práticas regenerativas, até fortalecer a biodiversidade enquanto produzem recursos.
  • Zootropolis — Co-criando natureza com a natureza — Onde plantas nativas frequentemente lutam para prosperar em climas urbanos alterados, Wilson sugere abraçar espécies não nativas que prosperam nesses climas urbanos únicos, e até introduzir ativamente algumas que possam ajudar na criação de ecossistemas urbanos funcionais. Este último aprendizado revela o quanto ainda temos a fazer em ética da ecologia urbana.

Exemplos inspiradores de todo o mundo

  • Berlim: A natureza reconquista a cidade — Na Berlim do pós-guerra, infraestruturas urbanas abandonadas e danificadas foram reconquistadas pela natureza, primeiro por espécies ‘ruderais’ pioneiras — frequentemente não nativas, emergindo dos escombros de uma zona de guerra intercontinental. Mais tarde, essas áreas se tornaram refúgios de biodiversidade. A partir de 1957, Scholz e Sukopp lançaram as bases do que se tornou a ecologia urbana, através de sua documentação do ecossistema natural de Berlim, que com a contribuição humana adicional se tornou mais biodiverso que seu bioma circundante.
  • São Paulo: Revivendo a Mata Atlântica — De acordo com a UNFCCC, São Paulo está liderando o caminho em resiliência climática através de melhorias no sistema hídrico e proteção contra eventos climáticos extremos. Um indivíduo notável é Hector da Silva, que sozinho reflorestou 40.000 árvores para regenerar uma área degradada e poluída no meio de uma região difícil da cidade. Hoje este local é reconhecido pela prefeitura como o Parque Linear. Esses esforços mostram como megacidades podem preservar a biodiversidade enquanto melhoram a qualidade de vida dos moradores.
  • Amsterdã: Uma visão de cidade circular — Amsterdã se tornou a primeira cidade a adotar o objetivo de se tornar uma cidade totalmente circular, com a meta de alcançá-lo até 2050. Usando o bem conhecido framework econômico Global Doughnut de Kate Raworth, eles ‘despavimentam’ o caminho para que cidades se tornem ciclos fechados que previnam impactos negativos em biomas ao redor do mundo.

Relevância para a Regen Studio

Na Regen Studio, nossos projetos estão alinhados de perto com a visão de Wilson sobre cidades regenerativas. Seja criando sistemas sustentáveis para Passaportes Digitais de Produto ou colaborando em iniciativas de reverdecimento urbano, nosso objetivo é projetar soluções que honrem a interconexão entre sistemas naturais e humanos.

Práticas para inovação regenerativa

De Urban Jungle, podemos extrair diversas práticas aplicáveis para criar espaços urbanos regenerativos:

  • Renaturalizar cada canto — Diversificar a flora e fauna urbana plantando ativamente e permitindo passivamente que espaços se naturalizem. Os desafios incluem prevenir danos à infraestrutura ou situações inseguras para os cidadãos.
  • Conectar espaços verdes — Criar corredores verdes conectando hotspots de biodiversidade urbana. Dessa forma, plantas e animais podem migrar entre áreas, criando sistemas ecológicos mais fortes que podem incorporar muitas espécies.
  • Foco em microclimas — Explorar o potencial da sua cidade de abrigar diferentes tipos de biomas através de variações em temperatura, umidade ou outras condições ambientais. Esta pode ser uma estratégia essencial na conservação da biodiversidade diante de colapsos de ecossistemas esperados devido às mudanças climáticas.
  • Projetar para a circularidade — Para superar o impacto que as cidades têm em biomas ao redor do mundo, elas precisam se tornar o mais autossuficientes possível. Começa com a implementação de sistemas para reciclagem, reutilização e redução de resíduos dentro das cidades para fechar ciclos de recursos. Mas as cidades podem até produzir recursos essenciais localmente — por que uma fachada de edifício não poderia não apenas ser construída com materiais de base biológica, mas também produzi-los? Cinza é passé!
  • Nature-by-Design — Como poderíamos projetar infraestrutura urbana para ser não apenas tolerante à natureza, mas auxiliar à natureza? Edifícios podem abrigar muitos microclimas diferentes, simulando ambientes claros ou escuros, úmidos e secos, com muito ou pouco vento. Poderiam até abrigar elementos pré-fabricados como pontos para pássaros nidificarem, insetos eclodirem ou peixes nadarem.

Considerações finais

Urban Jungle nos convida a ver cidades como ecossistemas em evolução, capazes de regeneração e adaptação. É um livro esperançoso e instigante que nos desafia a reimaginar espaços urbanos como lugares onde humanos e natureza podem prosperar juntos.

Se você tem curiosidade sobre como as cidades podem liderar o caminho para um futuro sustentável, este livro oferece uma combinação convincente de história, insights aplicáveis e ideias inovadoras, moldando a visão do trabalho da Regen Studio.

Urban Jungle — a natureza reconquistando a cidade, criando ecossistemas regenerativos prósperos

Entre em contato com info@regenstudio.world se você quer embarcar em uma jornada pela selva urbana conosco.